Relatório Global de Ameaças 2026 da CrowdStrike: O avanço dos ataques invisíveis e impulsionados por IA

Fernando Manomics
02/06/2026

O cenário de cibersegurança mudou — e rapidamente. O Relatório Global de Ameaças 2026 da CrowdStrike mostra que os ataques estão mais rápidos, mais sofisticados e, principalmente, mais difíceis de identificar. O relatório define 2025 como “o ano do adversário evasivo”, destacando como criminosos digitais passaram a explorar identidades legítimas, ferramentas confiáveis e engenharia social avançada para contornar as defesas tradicionais.

Entre os dados mais preocupantes apresentados pela CrowdStrike está a velocidade das invasões. O tempo médio para comprometimento caiu para apenas 29 minutos, com casos registrados de movimentação lateral ocorrendo em apenas 27 segundos. Isso significa que muitas organizações simplesmente não conseguem reagir a tempo quando um atacante obtém o acesso inicial.

Outro ponto crítico do relatório é a crescente utilização da IA por criminosos. A CrowdStrike identificou um aumento de 89% nos ataques realizados por adversários que utilizam IA. Ferramentas de IA estão sendo utilizadas para criar campanhas de phishing mais convincentes, automatizar engenharia social, desenvolver códigos maliciosos e até gerar identidades falsas para ganhar credibilidade em contatos corporativos.

A nova engenharia social: mais convincente, mais rápida e mais perigosa

Os ataques de engenharia social deixaram de ser aqueles e-mails simples com erros de português e links suspeitos. Hoje, criminosos utilizam IA para criar mensagens altamente personalizadas, simular comunicações legítimas e até reproduzir padrões de escrita e comportamento de empresas e executivos.

Segundo o relatório, atacantes passaram a utilizar plataformas de recrutamento, mensagens instantâneas e ferramentas corporativas confiáveis para manipular usuários e obter acesso inicial aos ambientes. O objetivo é explorar justamente o elo mais difícil de proteger: a confiança humana.

Além disso, a CrowdStrike destaca que 82% das detecções realizadas em 2025 foram “malware-free”, ou seja, ataques sem utilização de malware tradicional. Em vez disso, os invasores utilizam credenciais válidas, sessões autenticadas, aplicações SaaS legítimas e ferramentas administrativas nativas para se misturar às operações normais da empresa sem serem vistos.

Na prática, isso significa que confiar apenas em antivírus ou controles tradicionais já não é o suficiente.

Comprometimento de senhas e identidades: o novo alvo principal

O relatório reforça: identidade e acesso tornaram-se as principais superfícies de ataque. Técnicas como phishing avançado, vishing (phishing por voz), roubo de tokens OAuth e abuso de MFA estão sendo amplamente utilizadas para acessar ambientes corporativos.

Os atacantes entenderam que, ao comprometer uma identidade legítima, conseguem acessar sistemas críticos sem levantar suspeitas. Isso explica o crescimento dos ataques focados em plataformas SaaS, Microsoft 365, ambientes em nuvem e integrações corporativas.

Por esse motivo, a recomendação sempre é que as organizações adotem autenticação multifator resistente a phishing, monitorem comportamentos anômalos e implementem visibilidade contínua sobre identidades e acessos.

A conscientização humana continua sendo essencial

Mesmo com tecnologias avançadas de proteção, o fator humano continua sendo decisivo. Torna-se cada vez mais importante investir em programas contínuos de conscientização e em simulações realistas de ataques para preparar usuários e equipes técnicas contra as novas estratégias utilizadas pelos criminosos.

Treinamentos tradicionais anuais já não acompanham a velocidade das ameaças atuais. As organizações precisam desenvolver uma cultura contínua de segurança, preparando colaboradores para identificar tentativas de fraude, abordagens suspeitas, pedidos incomuns e manipulações psicológicas sofisticadas.

Além disso, exercícios de resposta a incidentes, operações de red team e blue team e processos bem definidos de contenção passaram a ser fundamentais para reduzir impactos quando um incidente ocorre.

Visibilidade e resposta rápida são indispensáveis

O Relatório Global de Ameaças 2026 deixa claro que as empresas precisam abandonar uma postura puramente reativa. A capacidade de identificar comportamentos suspeitos em tempo real, correlacionar eventos e responder rapidamente tornou-se essencial para reduzir riscos operacionais e financeiros.

Como parceira e certificada nas soluções CrowdStrike, a Connection apoia organizações na implementação de estratégias modernas de proteção, combinando visibilidade avançada, proteção de identidade, monitoramento contínuo e resposta inteligente a ameaças.

O cenário atual exige mais do que apenas ferramentas de segurança: exige inteligência, preparo e capacidade de reação diante de ataques cada vez mais rápidos, silenciosos e impulsionados por IA.

Fonte: Relatório Global de Ameaças CrowdStrike.