Velocidade como Métrica de Risco: Insights do Relatório do Cenário Global de Ameaças de 2026
Em 2025, o cibercrime evoluiu de ataques isolados para um modelo industrial, usando inteligência artificial e automação para explorar vulnerabilidades conhecidas em larga escala. Segundo a Fortinet, a redução no tempo de exploração torna a velocidade de resposta o principal fator de risco para as organizações.
O relatório aponta uma mudança nas táticas de reconhecimento, com 640 bilhões de eventos registrados (−45% em relação ao ano anterior), indicando que os atacantes passaram a atuar de forma mais direcionada e eficiente. Em vez de varreduras amplas, priorizam manter visibilidade contínua sobre superfícies de ataque, identificando e organizando credenciais, vetores de acesso e falhas para reutilização ao longo de toda a cadeia do ataque. Nesse contexto, a força bruta também evoluiu, com 67,65 bilhões de tentativas registradas, deixou de ser uma ação ruidosa e passou a operar de forma contínua e estruturada, focada em maximizar a obtenção de credenciais válidas. Assim, os atacantes realizam menos tentativas, porém contra alvos mais bem selecionados, aumentando a taxa de sucesso por credencial testada.
Com o reconhecimento e a força bruta mais precisos, os ataques passaram para um modelo industrial, com 121,99 bilhões de tentativas de exploração (+25%). Dados do FortiRecon mostram aumento de discussões na dark web focadas em vulnerabilidades já exploráveis e compatíveis com automação, além da oferta de ferramentas com IA como serviço, reduzindo a necessidade de especialização. Nesse cenário, os ataques deixam de ser improvisados e passam a ser preparados antecipadamente, ocorrendo em janelas cada vez menores — muitas vezes entre 24 e 48 horas. Assim, quando o tempo de contenção é maior que a velocidade de automação do atacante, a intrusão se torna o resultado esperado.
Após a exploração, a inteligência de NDR indica que os invasores operam com cadeias automatizadas, estabelecendo comando e controle (C2) e realizando movimentação lateral por caminhos confiáveis até evoluir para exfiltração de dados ou ransomware, frequentemente antes de uma resposta efetiva. Em 2025, sensores do FortiGate registraram 7,10 bilhões de detecções de botnets, evidenciando um cibercrime contínuo e orientado a serviço, com dispositivos conectados persistentemente à infraestrutura maliciosa. Nesse contexto, o C2 deixa de ser pontual e passa a operar como processo contínuo, reforçando a necessidade de detecção precoce de anomalias, autenticações suspeitas e atividades automatizadas antes mesmo da execução de malware nos endpoints.
O relatório da Fortinet evidencia que a execução de ataques foi padronizada para maximizar reutilização, automação e velocidade. O processo começa com um reconhecimento direcionado, alimentado por dados estruturados e compartilhados, que viabilizam ataques de força bruta mais eficientes e com maior taxa de sucesso. Esse modelo culmina na exploração automatizada de vulnerabilidades, movimentação lateral ágil e extração de dados, sustentado por infraestruturas persistentes de comando e controle (C2) e frequentemente disfarçado pelo uso de ferramentas legítimas.
Diante desse cenário, mitigar riscos exige ir além de defesas estáticas. É necessário adotar uma abordagem baseada em análise comportamental e visibilidade contínua, com soluções como FortiEDR e FortiNDR integradas a plataformas de automação (FortiSOAR). Só assim é possível interromper a cadeia de ataque em tempo hábil, antes que a intrusão evolua para vazamento de dados ou extorsão.
Fontes: Relatório Global da Fortinet sobre o Cenário de Ameaças de 2026
